sábado, 12 de janeiro de 2013

Causa Perdida

Acabou. Não dá mais. Você chegou ao seu limite. Depois de dedicar toda a sua força, energia e paciência, você se convence de que está insistindo em uma causa perdida. É preciso saber reconhecer uma causa perdida. E assumir pra si mesmo de que não se pode lutar contra.

Fatalmente esse momento iria chegar. Não foi uma decisão fácil. 
A luta interna que você travou seria digna de um grande filme de ação. Mas, em um arrombo de maturidade você finalmente percebeu que você está emaranhado em um relacionamento destrutivo. Você se cansou das teimosias, das manias, das manhas, dos trejeitos. Até as coisas mais simples começam a te irritar, e pensando bem, você consegue coisa melhor.

Você se enche de coragem. Vamos lá, você consegue. É agora. Você vai finalmente dizer que aquilo não está dando certo. Por um momento você pensa em desistir. Quem sabe fugir, correndo, e tentar um outro dia. Mas é tarde demais, você já tocou a campainha e escuta passos do outro lado da porta. Seu coração dispara, mas você se mantem firme. Decidido. Você é um campeão, rapaz. Um leve ímpeto te faz pensar que a ideia da fuga não era tão ruim, mas então alguém abre a porta.


É ela. A razão de sua perda de cabelo precoce e do retorno ao vício do cigarro. Inclusive você sente uma vontade incontrolável de fumar um exatamente agora. Mas continua focado. Você está ali por uma razão. É hora de colocar um ponto final nessa história, sem mais delongas. Você está prestes a dizer que vai embora pra não voltar nunca mais. É agora. 


Você percebe que a situação beira o ridículo pois ficou parado em silêncio como uma samambaia humana por uns 15 segundos. Então, ela, com os braços cruzados e um ar de leve impaciência por você ainda não ter aberto a boca desde que chegara ali, te olha com aqueles olhos estupidamente doces. E você percebe que foi derrotado, mais uma vez.


Você vira as costas e desiste do que ia falar. Não dá pra resistir a um par de olhos como esses, você pensa. É preciso saber reconhecer uma causa perdida. 

Você reconhece e dá de ombros. Ela, num tom de voz que dança entre o divertimento e o sadismo ainda pergunta se amanhã você vem de novo. E você vai.

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