quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Espera

Na sala de espera do hospital, a mãe respirava fundo sentindo as contrações da gravidez. Finalmente chegara a hora. Com uma mão, o pai a confortava e com a outra tentava chamar a atenção das enfermeiras. Seu filho ia nascer!
No cartório, mãe e pai esperavam em uma longa fila para registrar o primogênito. Na dúvida entre Mário e Alberto, optaram por Antônio Carlos.
Foi no natal de 1996 que teve sua primeira grande desilusão. Esperou o Papai Noel debaixo da escada, mas não viu ninguém a não ser seu pai colocando presentes de forma suspeita sob a árvore. E o pior: nada do carrinho de controle remoto que tanto esperara.
No colégio, Antônio Carlos era péssimo em matemática e geografia. A bem da verdade, era péssimo em tudo. Só esperava pela hora do recreio.
A primeira namorada, Priscila Pereira, foi o grande amor de sua vida. Não deu certo. Antônio Carlos quis dar um passo adiante na relação, mas Priscila fez que não. Disse que não estava pronta e que preferia esperar. Resultado, acabou perdendo a virgindade dois meses depois, com o melhor amigo de Antônio Carlos, Rogério Augusto.
Esperou ansiosamente para fazer 18 anos. Mas quando fez, viu que não era lá essas coisas. Como não tinha carro, ia pra faculdade sem poder se exibir para as meninas da sala. E ainda passava a maior parte do tempo no ponto de ônibus, esperando.
Depois de muito tempo esperando a hora certa, finalmente decidiu fazer uma tatuagem. Tatuagens eram maneiras naquela época. Optou por um anagrama japonês abaixo das costelas. Segundo o tatuador, que de japonês não tinha nada, significava 'Esperança'.
Nunca ficava muito tempo nos empregos. Era um funcionário pouco dedicado, e até mesmo preguiçoso. Quando lhe perguntavam se era feliz, dava de ombros. Apenas dizia que estava esperando uma oportunidade melhor.
O casamento não durou mais que sete meses. A família da noiva forçara a união depois que surgiu a notícia de que ela estava grávida de Antônio Carlos. Depois ela revelou que não esperava um filho dele. E sim do padrinho de casamento, Rogério Augusto. Separaram-se.
A velhice foi infeliz, solitária e amargurada. Acometido de um grave problema nos rins, esperou, em vão, por um transplante. Acabou não resistindo.

...

No céu, São Pedro o recebeu com os braços abertos.
- Bem vindo, Antônio Carlos. Estávamos esperando por você!
Respirou fundo e rebateu:
- Então é assim que termina?
E São Pedro apenas sorria. Em volta, uma sala com as paredes pintadas de branco. Ali, sem dúvida, era o paraíso.
- Deus está aqui?
Silêncio constrangedor.
- Responda, Deus está aqui?
Mais silêncio.
- Quero vê-lo!
São Pedro respirou fundo. 
- Sim, Deus está aqui. Vou chamá-lo. Só tem um probleminha...
E Antônio Carlos, já sem paciência:
- E qual é?
- Receio que você vai ter que esperar...



sábado, 12 de janeiro de 2013

Causa Perdida

Acabou. Não dá mais. Você chegou ao seu limite. Depois de dedicar toda a sua força, energia e paciência, você se convence de que está insistindo em uma causa perdida. É preciso saber reconhecer uma causa perdida. E assumir pra si mesmo de que não se pode lutar contra.

Fatalmente esse momento iria chegar. Não foi uma decisão fácil. 
A luta interna que você travou seria digna de um grande filme de ação. Mas, em um arrombo de maturidade você finalmente percebeu que você está emaranhado em um relacionamento destrutivo. Você se cansou das teimosias, das manias, das manhas, dos trejeitos. Até as coisas mais simples começam a te irritar, e pensando bem, você consegue coisa melhor.

Você se enche de coragem. Vamos lá, você consegue. É agora. Você vai finalmente dizer que aquilo não está dando certo. Por um momento você pensa em desistir. Quem sabe fugir, correndo, e tentar um outro dia. Mas é tarde demais, você já tocou a campainha e escuta passos do outro lado da porta. Seu coração dispara, mas você se mantem firme. Decidido. Você é um campeão, rapaz. Um leve ímpeto te faz pensar que a ideia da fuga não era tão ruim, mas então alguém abre a porta.


É ela. A razão de sua perda de cabelo precoce e do retorno ao vício do cigarro. Inclusive você sente uma vontade incontrolável de fumar um exatamente agora. Mas continua focado. Você está ali por uma razão. É hora de colocar um ponto final nessa história, sem mais delongas. Você está prestes a dizer que vai embora pra não voltar nunca mais. É agora. 


Você percebe que a situação beira o ridículo pois ficou parado em silêncio como uma samambaia humana por uns 15 segundos. Então, ela, com os braços cruzados e um ar de leve impaciência por você ainda não ter aberto a boca desde que chegara ali, te olha com aqueles olhos estupidamente doces. E você percebe que foi derrotado, mais uma vez.


Você vira as costas e desiste do que ia falar. Não dá pra resistir a um par de olhos como esses, você pensa. É preciso saber reconhecer uma causa perdida. 

Você reconhece e dá de ombros. Ela, num tom de voz que dança entre o divertimento e o sadismo ainda pergunta se amanhã você vem de novo. E você vai.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

A História mais antiga do Mundo

É a história mais antiga do mundo. Mas boas histórias merecem ser contadas mais de uma vez, de formas diferentes. Você está parado olhando o céu que explode em cores, quando se dá conta de que é fim de ano. E aí você coloca tudo que viveu na balança e avalia como foram os últimos 365 dias. 

Dizer que 'mais um ano' se passou é um erro. Na verdade nenhum ano é igual ao outro, e nem deveria ser. Cada ano possui sua marca, mesmo que ínfima, na imensidão do tempo. 2012 também deixou sua marca, 2012 foi um ano mágico.

E o lado bom da mágica é que ela pode vir de todos os lugares. Nunca se sabe de onde virá o próximo milagre. Por isso, se eu pudesse te dar um conselho, um único conselho nesse último dia de 2012, eu diria que você precisa manter mente, alma, e coração abertos a todas as possibilidades. Seu desejo mais secreto não é impossível de se realizar. Ele só pede de você, um pouco de fé, um tanto de paciência e muito de perseverança.

A vida costuma tomar caminhos que muitas vezes não entendemos. São curvas e desvios ao longo do percurso  que constantemente podem nos afastar de nossos objetivos. Se você conseguir que seu coração te guie, pode ser que a estrada demore a fazer sentido. Mas eu posso garantir que você nunca, nunca, estará perdido.

Que em 2013 você volte a acreditar. E que a esperança floresça dentro de cada um de nós, nos movendo sempre adiante. Que a dor da perda não supere a alegria de se estar entre amigos e família. Que o amor esteja presente, pra nos lembrar do que realmente é importante e do que é apenas poeira no espaço. Que a sorte esteja ao seu lado, mas não se iluda; não deixe tudo nas mãos do destino e espere pelo melhor. Faça seu melhor. Se possível, todos os dias. Lute, vibre, se importe. Fale. Ame. Chore.

Talvez tenhamos nos distraído desejando demais as coisas, e esquecido de vivê-las em toda sua intensidade e emoção. A rotina massacra e castiga. Mas é fundamental que encontremos, no fundo de nossa existência, a integridade e o altruísmo para perseguirmos nossos sonhos da maneira correta, não passando por cima de ninguém. Fazendo o certo ao invés do fácil, enfim.

E que o último segundo de 2012 nos faça repensar, pelo menos por um breve momento, da razão de tudo isso. E que, quando você estiver olhando o céu explodindo em cores, você se lembre que essa é a história mais antiga do mundo. E talvez lá no fundo você comece a entender que é preciso se viver o fim do ano todos os dias. Para sempre.
De repente o futuro é agora. E num piscar de olhos, o futuro foi ontem. E essa é a sua vida.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Natalino

Chega um determinado período do ano, localizado entre o fim de outubro e o começo de novembro, em que as pessoas são tomadas por um sentimento peculiar e ancestral denominado 'Espírito Natalino'. Eu disse sentimento? Não, acho que filosofia seria o termo mais adequado.

Não importa a idade, a orientação sexual, se é flamenguista ou vascaíno, ateu-protestante-praticante-apóstolico romano. Nada disso. A filosofia do Espírito Natalino acomete a todos. Uma epidemia de grandes proporções, que invade as casas, apartamentos, pontes e almas, se infiltrando pela janela na forma de uma canção da Simone ou de um comercial da Coca-Cola.

O sujeito pode ter passado o ano todo de mal humor, ou sendo um tremendo filha da puta. Pode ter perdido a namorada para o melhor amigo ou descoberto sua vocação secreta para ser pescador de golfinhos albinos e se mudado para a Malásia, ou algo parecido. O 'Espírito Natalino' não sabe distinguir essas peculiaridades. Ele ataca e pronto. É assim que funciona.

Existe uma melancolia subentendida no Natal. Algo de mágico que mexe com as masmorras dentro do peito de cada um. Uma força que enfraquece os rancores dos ranzinzas e deixa o coração inundado em ternura e nostalgia. Uma espécie de felicidade triste, que renova a força e conforta os pequenos flagelos do dia-a-dia. Até o pessimismo faz que não é com ele e dá uma folga. É parte da energia que envolve a data, uma neblina que paira no ar.

As famílias, desfuncionais ou não, se reúnem em torno de uma mesa repleta de comida e constrangimentos. Tantas palavras não ditas, tantas mágoas alimentadas pelo tempo, ficam a postos esperando o momento certo para causarem a indigestão. Os presentes, sejam eles fabulosos ou bijuterias de R$1,99, são distribuídos. E todos ficam alegres. Isso tudo regado àquelas velhas piadas com o pavê, comentários a respeito de como fulano cresceu e as pontuais perguntas que atormentam a vida dos solteiros: 'E as namoradas?'. Tiro e queda.

Aquele tio distante que você suspeita ser um figurante contratado só para essas ocasiões aparece com um repertório de anedotas mais antigas que andar pra frente. A criançada corre pela casa com as bocas sujas de doces com as mães descabeladas em suas colas. Aquela pessoa que você não via há tempos te arranca um sorriso com uma mensagem inesperada de celular. Os mais céticos debocham de como são tolos aqueles que vêem o Natal como mais do que uma data comercial, mas no fundo se pegam desejando que as coisas melhorem. E elas, eventualmente, vão melhorar. 

E no final da noite, quando todos já estão empanturrados e embriagados com aquele vinho de gosto duvidoso, há quem olhe para o céu com os dedos cruzados na esperança de que uma estrela realize um milagre de natalino. 

Todo Natal é a mesma coisa. E quer saber? Ainda bem. 

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

O mundo, o fim, essas coisas...

Chegamos ao fim. Sem cerimônias, sem ressentimentos. O mundo dando seu último suspiro, assim como previram os Maias. Ou teria sido Nostradamus? Agora não sei mais. E nem importa, afinal. A aventura humana na terra finalmente fracassa de vez. Anos de evolução resultaram em uma caminhada às cegas para isso, o fim de um ciclo. 
Simples assim.

Os especialistas estão perplexos. O mundo pode acabar em uma tsunami mortal ou com o choque de um cometa viajando a anos-luz em direção ao núcleo terrestre, não se sabe. As especulações são inconclusivas.  Na tv, programas dedicam horas a discutir o fenômeno iminente. O único consenso é o de que não há salvação. Só se sabe que é o fim.

Pouco a pouco as pessoas assimilam que não há mais volta. As igrejas ficam abarrotadas de pecadores buscando um lugar no céu ou pelo menos um local com vista privilegiada para o apocalipse. As autoridades se calam. Não há o que fazer nem o que explicar.

As linhas telefônicas passam dias congestionadas. Milhões tentam se reconciliar com entes queridos, amores do passado ou velhos desafetos, distanciados pelo tempo ou por brigas estúpidas. As companhias aéreas não conseguem atender à demanda de pessoas querendo voltar para casa. Anônimos saem às ruas aos montes, trajando vestes brancas e entoando canções que falam de amor e esperança.

As guerras são suspensas em tratados de paz que nunca foram assinados. Apenas a muda e mútua compreensão de que não faz mais sentido tentar explodir a cabeça do outro, já que todos terão o mesmo destino mórbido. 
As últimas semanas são de reflexão e reinício.

No planeta dos macacos, o último pôr-do-sol de todos os tempos acena melancolicamente do horizonte. No fim do mundo, detalhes passam a ser apenas detalhes. O Homem, pela primeira vez em toda sua  História tem a certeza da morte anunciada. A jornada antecipa seu final. As cortinas se fecham, as luzes se apagam. 
O terceiro ato se encerra.

Ao ter ciência de que não há nada além, passa-se a valorizar o aqui e o agora. Cuidar do próximo e de quem se gosta supera as ânsias materiais e os desejos mundanos. A vontade de viver se renova perto do momento derradeiro. Foi preciso o mundo acabar para o Ser Humano finalmente entender que o erro reside justamente em ser humano. 

Perto do fim, o Homem reformulou a pergunta que por anos atormentou sua existência: o que importa não é para onde ir se o mundo acabar. Mas sim com quem estar.
Compreendeu, infelizmente, tarde demais.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Jardinagem


No jardim da minha casa nasceu uma flor.

Minha primeira reação foi o espanto. Nunca florescera nada ali. Apenas algumas ervas daninhas. A bem da verdade, o jardim era mais uma morada de insetos e outros bichos barulhentos durante a noite. E ali estava, pequena, indefesa, e amarela.

Cheguei perto, com receio. Minha habilidade com a jardinagem se equivale a minha habilidade em montar búfalos raivosos. Ou seja, nenhuma. Definitivamente era uma flor. Sem saber o que fazer, dei de ombros e a deixei ali. Que a natureza cuidasse daquilo que é seu, e estamos conversados.

Mas acontece que a indiferença é uma porção exagerada de abacate. No começo você consegue comer tranquilamente, mas depois de um tempo o sabor amarga na boca. Dividido entre curioso e cuidadoso, comecei a monitorar meu quintal. Eventualmente passei a regá-la. Em pouco tempo, a indefesa flor amarela ganhava minha simpatia. E foi aí que tudo desandou.

Cuidar da planta era uma coisa casual, que eu fazia depois do almoço. Nada mais que um passatempo saudável. Passar alguns minutos no jardim renovava as energias e fazia bem. Achava legal, até, zelar por algo que não me pertencia por completo. Abracei a causa e arregacei as mangas.

Fui seu protetor, em dias de sol e chuva. Desafiei ventanias e suportei dias secos. Reguei, aparei e dei amor, ou algo parecido. 
Com a minha ajuda, a flor amarela cresceu.

Reinava absoluta, rainha solitária e soberana do meu jardim. Era a primeira coisa em que eu pensava depois de acordar, e a última antes de dormir. Dividia minha alegria com amigos, que não entendiam. Apenas balançavam a cabeça, caridosamente. 'Enlouqueceu'. 

Então, sem aviso prévio, de maneira inesperada, assim como surgira, a flor desaparecera. Custei a acreditar. No chão batido, apenas o caule, partido. Algum bicho sorrateiro provavelmente arrancara a flor durante a noite, longe dos meus olhos e do meu cuidado. Meu pequeno milagre, enfim, tirado de mim. Um crime sem vestígios. Sem mais nada a fazer, aceitei conformado aquela ironia do destino. E a vida seguiu seu curso.

Com o tempo, peguei gosto pela jardinagem. Fiz crescer outras flores, de diferentes tamanhos e cores. Transformei por completo meu quintal, assim como ele um dia havia também me transformado. Mas naquele cantinho, naquele lugarzinho específico em que a pequena flor amarela florescera, nunca mais nasceu nada. Apesar de todo meu esforço e dedicação, um pequeno vão jazia tristemente em meio às flores.

Desolado, vislumbrei meu jardim. Mais uma vez, deserto.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Astronauta


Havia paz. Paz e escuridão. Escuridão e silêncio. E mais nada.

E havia o Astronauta.

Vagando pelo espaço há mais tempo que conseguia se lembrar. À deriva naquele mar negro pontilhado por estrelas aqui e ali. Ao longe, a nave-mãe flutuava tristemente. E o Astronauta solto no espaço. Impossibilitado pelas leis da física de voltar para a nave. Voltar para casa.

Perdido na imensidão bela e misteriosa, o Astronauta era um nada. Um pequeno átomo disperso no Universo. Tirado de seu curso natural. Uma pequena mancha de tinta na pintura. Orbitando aleatoriamente por um mundo desconhecido. Só.
O nível de oxigênio de seu traje diminuía progressivamente. A respiração embaçava o visor do capacete. 

O Astronauta sentia medo. Apesar de todos os anos de treinamento árduo e intenso, nada o preparara para aquilo. E o coração do Astronauta retumbava no Espaço Sideral.
E então, quando sua esperança se eclipsava, algo chamou a atenção do Astronauta.

Logo à sua frente, emoldurada em um portal, uma nebulosa de estrelas. Uma mistura de cores e luzes em contraste com o véu negro do céu de toda parte. A visão mais incrível de sua existência.

Tomado por tal emoção de uma imagem que talvez nenhum homem na Terra jamais pudesse ver, o Astronauta sentiu-se único. Aceitando a ironia do destino, o Astronauta abraçou o desconhecido e esperou pela morte. Que era bela. E o Astronauta chorou.

Acontece que o Astronauta não morreu. Uma missão espacial de resgate o encontrou pouco tempo depois, bem longe da nebulosa fantástica. Quase sem oxigênio. Mas vivo. E o Astronauta voltou pra casa.

Na Terra, virou celebridade. Dava entrevistas, tirava fotos. Só se falava no Astronauta. Era um herói de nossos tempos. Um sobrevivente. Lançaram bonecos do Astronauta. As crianças colocavam caixas de papelão na cabeça e saíam disparando raios invisíveis com a boca pelas ruas. Só se falava no Astronauta.

Mas o Astronauta não era feliz. Alguma coisa estava vazia dentro dele. Nem os flashes, nem a fama, nem o dinheiro, conseguiam fazer o Astronauta voltar do mundo da Lua. Em seu delírio, o Astronauta não era mais capaz de ver beleza à sua volta. Não depois de ter encontrado algo tão fabuloso como a nebulosa espacial. Nada o agradava, nenhuma mulher o satisfazia, os amigos não tinham mais graça. O Astronauta não suportava a ideia da existência de uma coisa tão extraordinária, capaz de superar qualquer outra jamais vista, tão longe dele. Impenetrável, intocável. Invisível. 

E o Astronauta foi infeliz pelo resto da vida.

Quando dormia, o Astronauta sonhava.

Nos sonhos, havia paz. Paz e escuridão. Escuridão e silêncio.

E havia a Nebulosa.